Entrevista com DeRose – Parte 6: uma nova estética, uma nova ética
Trecho da entrevista concedida pelo Comendador DeRose ao jornalista António Mateus, no Palácio Pestana, em Lisboa, no ano de 2009.
Porque Vossa Cultura não traz só uma proposta interior, do indivíduo, é também na forma como ele se relaciona com os seres humanos à sua volta, com o mundo físico à sua volta. Há uma nova estética e uma nova ética?
Sem dúvida, porque o conceito de um interior pressupõe que haja uma dicotomia entre interior e exterior. E a Nossa Cultura não entende o indivíduo, nem o mundo, como uma coisa separada. Um corpo e alma, por exemplo. Um antagonismo entre o espiritual e o natural, o físico, o corporal. Então, nós entendemos que interior e exterior são uma coisa só. Que estando integrados, nós conseguimos realizar muito mais e muito melhor, muito mais bem feito o nosso trabalho. De nada adianta que consigamos proporcionar uma evolução pessoal a um indivíduo se isso não for se reverberar na sociedade, no mundo, na humanidade e até no meio ambiente. Um mais elevado nível de consciência forçosamente desencadeia uma nova estética e uma nova ética em relação aos valores que hoje estão vigentes. Por outro lado, nada do que proclamamos é novo.
Quando os governos dos nossos dias pouco ou nada se preocupam com o perfil de indivíduo a definir, com o perfil de sociedade a alcançar, a não ser no plano puramente material, do acerto de contas financeiras, é preciso haver um novo olhar sobre a qualidade do indivíduo. E a sua proposta de Cultura responde exatamente a isso. É um sujeito mais lúcido, mais ativo, e que sabe para onde ele quer caminhar?
Exatamente. E sempre sob a égide da tolerância. Porque, se não for assim, nós estamos correndo o risco de inventar uma religião nova, o que não é absolutamente a intenção. A nossa é uma proposta educacional, uma proposta cultural, de levar o indivíduo a um patamar mais elevado de civilidade, de cultura, de educação, de senso artístico, de sensibilidade e, como você disse antes, de ética e de etiqueta também. A etiqueta é uma pequena ética. Quer dizer, temos a grande ética, e nós temos aquela ética, aquela etiqueta, aplicada ao dia-a-dia, no relacionamento dentro de uma sociedade específica, na qual nós precisamos nos adaptar. Porque quando expomos uma proposta abrangente como esta, temos de considerar que existe uma cultura cristã, mas existe uma cultura hindu, uma cultura judaica, uma cultura islâmica e nós não podemos sugerir uma proposta que se adapte apenas a uma dessas culturas.
Isso muda completamente a dinâmica do mundo à nossa volta. Que possibilidades é que se abrem?
As possibilidades são múltiplas e bem abrangentes. No entanto, a realização é sempre lenta, porque a mudança de paradigmas é muito difícil para o ser humano. Nossos circuitos neurológicos foram projetados de uma forma que, a partir do momento em que aprendemos um determinado conceito, um determinado código de procedimento, não conseguimos mudar. É muito difícil mudar. Então, quando transmitimos este ensinamento, devemos nos lembrar de que é um ensinamento basicamente para um público jovem, adulto jovem. Adulto jovem, é aquele que está na ativa, é aquele que está na dinâmica empresarial, política, artística, enfim, em qualquer área. Essa pessoa tem condições ainda de processar uma transmutação na sua maneira de ser. Tem condições de incorporar uma nova práxis. E quem o tiver, no meu entender, é um adulto jovem.
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A entrevista foi transcrita por Alexandre Montagna e simultaneamente por Renata Coura e Maicon Casagrande, com a colaboração de Caio Martareli, Priscila Ramos, Raffa Loffredo, Taline Mendes, Rômulo Justa e Alessandra Filippini. Revisões sucessivas feitas por Fernanda Neis, Alessandra Roldan, DeRose e Camacho.
(fonte)
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